Terça-feira, Fevereiro 11, 2003

Finnegan's Wake

Conheci mais um blog engraçadinho com piadinhas em photoshop, que fez eu chegar à conclusão que devo voltar à ativa. A luta continua...
www.euhein.com.br
Eu Hein?... hmmm... ok, resistirei à piadinha.

Quinta-feira, Fevereiro 06, 2003

Ih, olha lá, ele piscou!

Se é que alguém ainda aparece por aqui, tão ligados no Michel Houelebecq? O francês sangue-ruim que andou pichando feio a geração beat e a contracultura no seu Partículas Elementares? Pois eu ganhei de presente o seu livro seguinte, Plataforma, e terminei ontem.
Pelo que minha parca compreensão foi capaz de apreender, o sujeito fez ali uma apologia do amor tarado. Engraçado, porque a história romântica do namoro feliz e sexualmente libérrimo, que é o miolo da história, não poderia ter acontecido sem uma forcinha dos beats gringos.
Bem, uma sinopse poderia ser mais ou menos assim: sujeito bunda-mole e cretino conhece e se apaixona por uma capetalista taradinha e cheia de amor pra dar (seguem-se duas páginas de ruído de felação). A moça, trabalhando numa megacorporação de turismo acaba engendrando, com a ajuda do esquisitão, um plano para explorar o turismo sexual em países do Mundo de Baixo, para aplacar a infelicidade dos europeus extropiados pela maldita contracultura gringa. Mas o Islamismo é uma merda, e todo mundo se fode.
De que o Islamismo é o cu da capivara só os fumeiros de Porto Alegre não foram informados. Mas, ô Michel, qualé, então o lado bacana da contracultura é invenção da Zoropa e a bagaceira é coisa de gringo? Meu chapa, tu é mesmo muito francês, tá ligado?
Mas leiam, vale pela putaria e a tiração com os mohamed. E, de quebra, também tira uma casquinha de São Paulo e da Pindorama Geral.

Sexta-feira, Janeiro 24, 2003

Atendendo a pedidos, o Cavaleiro da Caidaça Figura está de volta. Mas o blogue continua na UTI.
Ô Tião, mein freund, se ligou que a mina não tem a ver com o peixe? Eu tou sacudo e pronto, catso. Mas você me lembrou bem, estava a ponto de perder o decoro.
Senhoras e senhores, mais uma vez rogo-lhes por sua complacência. Acho que Estricnina vai pra casa do caralho, mas tenho um outro projeto por aí. Plus ça change, plus c'est le méme chose (ei! quem foi o puto que falou aí "hmmm... tá comprovado..."?!).
Ficamos combinados assim: salvo algum momento de sublime inspiração, tou de férias. Quando a próxima espelunca estiver pronta, dou-lhes um (ui!) toque.
Por ora, só não me torrem os colhões, estróinas!

Segunda-feira, Janeiro 20, 2003

Estricnina bebeu estricnina

Não sei se fui picado pelo bichinho que mordeu Viviane del Toboso, mas tou pra lá de sem saco com esta espelunca aqui.
Quando comecei esta porra, acho que tinha noção do que queria. Mudei muito, quase nunca fico bêbado, ainda que continue fumando trinta cigarros por dia. Tou cada dia menos Pop, enjoado desse troço azul e amarelo. Tenho namorada e ela não fica se cortando com gilete no banheiro. E esse troço de Estricnina 56 é um lance meio rockabilly, coisa que nunca fui. A idéia já nasceu anacrônica, enfim, e hoje, só sei que sei lá. Entende?
Pois é. Talvez eu comece outro blog. Talvez. Me dêem um tempo pra pensar.

Quarta-feira, Janeiro 15, 2003

Ô viva eu viva tu viva o rabo do tatu



Eu ia me esquecendo, não fosse a magnyfica Gisele me rememorar. Um amigo esquisitão meu tá de aniversário. Ele tem mania de farmacêutico e um blog que ninguém lê, coitado.
Um quarto de século, vejam só.
Bem, de niilista que ele é, acha que ninguém devia comemorar aniversário de ninguém, porque afinal de contas não temos a menor culpa de ter nascido tal dia ou outro (pra ser mais exato, não temos nem culpa de ter nascido). Mas, pra variar, ora foda-se.
Seguinte: sei que conto nos dedos de uma mão os leitores desta biroxca que não conheço pessoalmente. Outrossim, estão todos convidados a irem ao James Bar às vinteuma de hoje para me darem um disco do The Yeah Yeah Yeahs, ou do The Fall, Guided by Voices, Jesus and Mary Chain, Jane's Addiction, Tom Waits, Serge Gainsbourg, etc, etc, etc - como podem ver, vocês estão com sorte: opção é que não falta.
Não tem bexiga, nem bolo, nem vela e, queira deus ou O Senhor, espero que não cantem parabéns.
E viva eeeu...

Terça-feira, Janeiro 14, 2003

Eu não morri, apesar de investidas recentes da marginália genérica.
Mas vocês sabem, aqui no Ritiba do mundo, os botecos costumam dar férias coletivas no verão. Pois intão.
Mentira. É que tou embaçado com o eito. O feitor não sai de cima. E minha senhora me toma o resto do tempo.
Mas tenhaes paciência, nobilíssimos, digníssimos, respeitáveis e mui majestosos leitores. Se as metas de superávit primário me permitirem, entregar-vos-ei um novo template até semana que vem. E um postão no capricho. Ao menos já prometi não comprar nenhum avião este ano.
E tenho dito.

Quinta-feira, Janeiro 09, 2003

Flashback

9/1/3 14:52

-Alô.
-Oi, Fábio, sabia da última? Clarah Averbuck está grávida de quatro meses.
-E daí?
-Não é legal?
-Não, é deprimente.
-Então, por isso mesmo achei legal. Já pensou que isso significa que quando ela tava falando com você já tava assim?
-Escute, você não tem nada melhor pra fazer do que ficar interrompendo meu serviço?

5/10/2 6:21

-(sono)Alô.
-Oi. Tou ligando pra você não vir pra cá. Tá tudo muito errado. Fiquei bêbada e trouxe meu ex pra casa. Acordei ao lado dele e o expulsei a murros daqui. Pelo menos bati mais que ele. Não venha para cá. Está tudo muito confuso.


Fizeram as contas? E dizem ainda que Deus não tem senso de humor.

Segunda-feira, Janeiro 06, 2003

Não vi e não gostei

Já tinha lido no jornal e depois passei frente a um cinema da Fundação Cultural. Lá tava ele. Paraíso. Podemos arriscar uma sinopse mais ou menos assim:

Paraíso (Sinopse)

Moça imbecil namorada de junkie idiota perde o estróina numa overdose. Para se vingar, resolve mandar pelos ares o traficante que forneceu o remedinho pro xexelento. Dá tudo errado e ela vai parar na cadeia, morrendo de remorso de ter catapultado às alturas não o malária, mas a família da faxineira do prédio.
Nisso então aparece um policial bonzinho, apaixonado e estraga-prazeres, disposto a ajudar a coitadinha a escapar das unhas de Big Fat Mamma, a lésbica-rainha do presídio. E - pasmem - ainda descobrem os dois uma conspiração policial para encobrir o fornecedor de fármacos.
Big Fat Mamma, evidentemente, não está no filme. O que ia ocorrer à vadia vai do sadismo de cada um. O inacreditável é que um roteiro dessa estirpe não foi fruto de Hollywood. O filme é de um diretor inglês, rodado na Itália. Talvez por isso esteja sendo levado a sério. Crítico é um bicho besta.

Sexta-feira, Janeiro 03, 2003

Moderno Dicionário Estricnina 56 dos Eufemismos

Qualquer um sabe que a hipocrisia é o cimento com o qual se assentam as relações sociais. E, em tempos politicamente corretos, que o eufemismo é o recurso de linguagem mais básico que se espera que qualquer um com o mínimo de educação domine completamente. Mas, para usar desse precioso artifício sem parecer um almofadinha, é preciso ter estilo. Estricnina 56 compilou para você alguns eufemismos a serem usados nos ambientes mais descolados, sem contra-indicação.

Crumbiana: Robert Crumb, cartunista americano, notabilizou-se, entre outras coisas - e põe coisas nisso -, por seu gosto por garotas maluquinhas e de proporções avantajadas. Crumbiana diz-se de garota underground de padrões físicos assim digamos barrocos e, apesar de, ou justamente por, atraente. Dizer que fulana é uma "gordinha enxuta" ou "carne demais pro meu abatedouro" só é adequado caso você use fivela grande e goste de chapéu de feltro (nesse caso recomento a você o post Grandes Revelações antes de prosseguir). Além disso, invariavelmente, acaba num fora. "Aqui temos um belo exemplar de crumbiana" é uma saída viável, apesar da possibilidade de a contemplada lhe responder que andou fazendo reeducação de postura e agora está melhor.

Woody Allen: bunda-mole. Tá certo, Woody Allen não tem nada de bundão, mas estamos falando de hipocrisia semiótica. Assim, quando se referir a um sujeito de mais de vinte e cinco que mora com a mãe, usa pulôver de lã, passa noites de perversão na lan house e se masturba de camisinha, não diga "aquele sujeito é um verme de meio culhão". Isso pode denotar falta de sensibilidade. Diga que ele tem um quê incurável de Woody Allen. Variante: Charlie Brown.

Wildeano: perobo. Esta foi criada pelo filósofo Nataniel Jebão. Dependendo de seu corte de cabelo, não use-o próximo da figura em questão, ou você pode acabar tendo sérios constrangimentos. Não há perobo que não se sinta homenageado.

Punk: imbecil truculento. Dizer que sicrano é "um troglodita simiesco com cérebro de jabuticaba" pode acabar em surra - e pode estar certo que não será você que terá ossos ao final do massacre, especialmente se o hominóide em questão souber o significado da palavra "cérebro". Já dizer que o sujeito é "realmente punk" pode conquistar um aliado estratégico.

Punk: junkie degringolado. Use para se referir aquele sujeito que mandou emoldurar seu exame capilar anti-dopping ao ser libertado da cadeia por uma tia advogada, alegando ser o pobre menino uma vítima das drogas e da decadência da civilização. Nunca se sabe quando os serviços de um junkie podem se fazer necessários.

Punk: imbecil infantilóide. Chame assim aquele seu priminho de trinta anos que usa boné, ouve Rodox e insiste em jogar o gato da cobertura pra ver se quica. Ao menos ele não vai contar que foi você que assaltou a geladeira da titia.

Punk: pervertida sexual. Quando uma mulher lhe pedir para espancá-la com um taco de beisebol, não pule de cuecas pela janela nem chame-a de doente, especialmente se o taco ainda estiver na mão dela. "Você é uma garota punk" pode conduzir as coisas rumo a um amor trágico, profundo e doloroso.

Livre: histérica. Às vezes, a vida nos traz impasses em que mandar a razão pastar não é uma saída sensata. Por exemplo, você pode ser ver em uma situação em que uma mulher tem tudo o que você sempre desejou, exceto pelo fato de ela passar horas trancafiada no banheiro abrindo lanhos pelo corpo com uma gilete. E de te estapear na rua porque preferia chocolate meio-amargo. Nesse caso, não mande-a ir ver um psicanalista. Diga "você é livre demais para mim". Flashbacks são um mal necessário e nunca se sabe quando se farão urgentes.

Mané, chato, babaca, esquisito, alfredo, jaguara, zicado, noiado, obsessivo: diz-se de sujeito pouco afeito às normas sociais, que jamais usa eufemismos. Variante: Fábio M. Já dizia Steinheagger: "É isso aí, mané - Fé ni eu e pé na jaca".

Quinta-feira, Janeiro 02, 2003

Feliz ano semi-novo

Eu não sou um troglodita completo. Tinha até deixado um recado de ano novo pra vocês, mas parece que a porra do hpg não publicou. Sabem como é: software é a parte que você xinga; hardware é a parte que você chuta. Vai do jeito que deu mesmo:

Vívido ano novo

Enfim, vou poder coçar o saco um pouco.
Não se vive para a felicidade. Vive-se por viver, e a felicidade é uma das conseqüencias possíveis disso. Somente os medíocres vêem a felicidade como ponto culminante da existência. Fazer o que se deve pode muito bem dar errado.
Assim sendo, o que posso desejar é um vívido ano novo para vocês. Pouca paz e muitas experiências novas. Que vivamos em tempos interessantes.
Até quinta-feira.

Domingo, Dezembro 29, 2002

Grandes revelações

Atenção idiotas, apenas srs. idiotas. Tenho um comunicado a fazer: BK não é pedófilo. Querem saber mais? Clarah Averbuck não se chama Creuzah nem tem um salão de cabeleireiros. Viviane não morreu. Thaís e Sheila não são propriamente moças de fino trato. E Morgana e Abyssinia não fumam cigarrilha longa.
Atenção idiotas, apenas srs. idiotas: eu andei reparando que mulheres, de fato, não são plantas carnívoras.
Atenção idiotas, apenas srs. idiotas. não existe um bar que venda estricnina, tanto menos fabricada há quarenta e seis anos.
Acharam pouco? Pois meu nome é Gilson (mas pode me chamar Gigi), tenho uma galeria de arte indígena, assino G Magazine e simplesmente a-do-rei o último disco do Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte.
Atenção idiotas, apenas srs. idiotas: vão bater punheta nas fuças de vossas mamãezinhas.

(O BK andou reclamando que eu tinha citado ele nas amarelas no item "Perversão - Pedofilia". De fato, não é muito adequado, eu fiz isso porque tesão de japonês do Japão é basicamente uma coisa pedófila. Mas BK não é japonês, é somente um "simpatizante").

E, antes que eu me esqueça, srs. idiotas, não me chamo Gilson.

Sábado, Dezembro 28, 2002

A respeito das mulheres

As plantas carnívoras pertencem em sua maioria à ordem das Nepentáceas. Elas possuem em comum a característica de iludirem a presa simulando possuir alguma coisa que ela necessita muito (geralmente néctar, às vezes carne podre), tendo inclusive o aspecto, aos olhos de um inseto, de lindas flores.

As plantas do gênero Nepentes, que ocorrem principalmente na Ásia, atraem a vítima a entrar em seu cesto, que lembra uma orquídea e no fundo do qual há o líquido digestivo. Com as asas úmidas, o inseto não pode voar até a saída. E, como o cesto é revestido internamente de pêlos escorregadios voltados para o fundo, a presa também fica impossibilitada de escalar rumo à saída, e, exausta de tentar, acaba se entregando ao líquido corrosivo. Ou seja, um poço misterioso no fundo do qual só se encontra a própria aniquilação.

Já as do gênero Drosera, comuns na América do Sul inclusive o Brasil, possuem glândulas que secretam um líquido doce e pegajoso, prendendo a vítima como num papel mata-moscas. Seus tentáculos coloridos são lentamente dobrados em direção à presa, prendendo-o junto à base da folha, onde o suco digestivo é secretado. Ou seja, o bicho vai ficando cada vez mais enrolado e melecado, até não ter mais saída.

Mas as minhas preferidas são as Dionaea, com o sugestivo nome popular de Armadilha de Vênus, que ocorrem nos EUA e também são as preferidas dos roteiristas de filme B. Suas boquinhas apavorantes são carregadas de um néctar doce e perfumado, e lembram flores inocentes a um inseto teimoso e cegado de desejo. É pá-bufe! Quando a vítima toca em seu pelinho sensitivo, ela se fecha de súbito e bau-bau.

Isso me deu vontade de cantarolar aquela musiquinha do Cramps: I'm a human fly...I say bzz bzz bzzz...

Sexta-feira, Dezembro 27, 2002

Tipo assim

Duro, pra não variar porra nenhuma. Pra não variar porra nenhuma, andando sozinho com a mão no bolso, cigarro pendurado no beiço, forçando alguma dignindade fajuta. E, pra não variar porra, nenhuma, foda-se.

Quinta-feira, Dezembro 26, 2002

Adiós, amigo



E lá se foi Joe Strummer, o punk mais boa praça da Biosfera. O carinha que provou que não é preciso ser neurótico obsessivo nem psicopata pra ser punk. Cinqüenta anos, uma criança. Live fast, die young, dizem.
Agora o lance é fazer uma jam com Joey Ramone no Limbo Etéreo, onde o gelo seco é por conta da casa.
Enquanto isso, Iggy Pop e Mick Jagger vivem sua síndrome de Chet Baker: cadáver ambulante. Os veinho tão que é um bagaço só. Quem parece que tá bem é que se fode. Ian McCulloch, Robert Smith e David Bowie que se cuidem.

Mais fotos do Clash?
http://clashphotorockers.free.fr/

Segunda-feira, Dezembro 23, 2002

Ops!
Alguém aí já leu O Poço e o Pêndulo, do Poe? Uns inquisidores tarados tentavam matar um sujeito deixando ele numa sala totalmente escura com um buracão no meio.
Pois é: o abismo está sempre lá, mas a gente nunca sabe a que distância se está dele.

Se você fizer isso de novo, eu quebro esta garrafa na sua cabeça
No céu, uma nuvem em formato de Concorde
Voa por trinta segundos
E só isso

Domingo, Dezembro 22, 2002

Crasse A

Pronto, tá lá embaixo o especial de fim de ano. Podem cantar comigo: "você, meu amigo de fé, meu irmão, camarada..." - dez múzzikas pra viajar rumo ao Paraíso Perdido, lamber o próprio pescoço ou, simplesmente, meter o pé na jaca.
Quanto ao template e o post caprichado, sabem como é, companheiros, é preciso ser cuidadoso com os mercados... Tou encrencado demais com sevício e vai ficar pra outro dia.

Sexta-feira, Dezembro 20, 2002

Papai Noel velho batuta

Vou fazer um especial de natal pra vocês. Template novo, outros mp3 e um post mais trabalhado. Mas as duas músicas fixas vão pro limbo. Quem ainda não o fez tem 48 horas pra baixar Strychnine e Mr. Pharmacist. E tenho dito.

Quinta-feira, Dezembro 19, 2002

Pensei que fosse mentira quando vi. Mas Tom Waits gravou com Peter Murphy. E vem tudo na melhor hora possível.
Rôrôrô pra vocês...

Terça-feira, Dezembro 17, 2002

Minha garota estava fazendo um curso de "roteiro para cinema" e me contou de um exercício que teve que fazer na última aula. A mestra passou aos alunos uma frase e pediu-lhes que escrevessem uma poesia sobre o assunto, em cinco minutos.
Não sei o que tem a ver o cu com as calças de se estudar roteiro de cinema e ter que escrever poesia. E, depois, farejo bicho-grilagem à distância. Mas, foda-se, acabei gostando da idéia. A frase da professorinha deu título ao soneto abaixo.

Quando tudo acaba, sempre resta algo para limpar

O intolerável dilema a me torturar:
Esgotado meu uísque, vodca, breja e tequila
A alma esvaindo, súbito o facho desopila:
Quando tudo acaba, resta algo para limpar

E, forças renovadas, pus-me a procurar
Em cada gaveta, armário ou prateleira
Não me aferraria, pois, a esta dor traiçoeira:
Quando tudo acaba, resta algo para limpar

E num gáudio momento de sublime graça
Fortuna que se abre a um Baco revisto
Insuspeitos prazeres no limpa-vidraça

Qual o deus sorvi do lustra-móveis Poliflor
Bauldelaire, talvez, para o mal desse estame
Inalar, tão cálida, a essência do amor

Com álcool Coopersúcar tenho a alma refeita
Karpex tão bom e singelo que ainda me enleva
Vertendo, extasiado, minha bile na relva

Domingo, Dezembro 15, 2002

1. Teoria macha da existência
Na vida, algumas pessoas têm culhão. Outras têm saco.
O filósofo Steinheagger

2. A pior invenção da humanidade
Beijo de selinho.

3. Haicai idiota, à Paulo Leminski
O primeiro cigarro me deixa doidão
O vigésimo terceiro
Não.

4. Viva a mãe natureza!
Essa é para quem acha a Natureza uma velhinha bonachona ou uma ninfa boazuda. Resumi da seção de ciência do caderno Mais de hoje.
O Toxoplasma gondii, agente causador da toxoplasmose, é um protozoário capaz de infestar qualquer mamífero, mas só pode de se reproduzir sexuadamente quando hospedado em um gato. A toxoplasmose humana não é considerada um distúrbio grave, sendo perigosa apenas para gestantes, por ser capaz de provocar abortos ou dano cerebral ao feto. Nas outras pessoas, seus efeitos são semelhantes aos de uma gripe, e, após uma breve infecção, o parasita se torna inativo, coexistindo o resto da vida com o paciente sem, aparentemente, causar dano algum. Estima-se que algo entre 30% e 60% da população mundial sejam portadoras do Toxoplasma.
Em verdade, acreditava-se que o toxoplasma era inofensivo. O protozoário possui uma estratégia bastante peculiar para se reproduzir: ao infestar um rato, libera no cérebro do hospedeiro substâncias que alteram seu comportamento. Com isto, o animal torna-se mais impetuoso, aventurando-se de forma imprudente, e também tem seus reflexos diminuídos. Algo como um ser humano hiperativo. Chega ao ponto de se sentir atraído por urina de gato. Vocês podem imaginar facilmente qual a vantagem desse comportamento para o parasita: o gato come o rato perturbado e contamina-se com o toxoplasma, fechando o ciclo.
Bem, não sendo o ser humano dieta habitual de nenhum felino, supõe-se que não interesse ao toxoplasma causar este efeito no ser humano. No entanto, o cérebro humano é estruturalmente assemelhado ao do rato. Cientistas tchecos resolveram fazer testes de personalidade em portadores e não portadores do parasita. Com resultados algo confusos, pareceu esboçar-se que os homens infectados seriam mais independentes e propensos a quebrar regras que os não-infectados, enquanto as mulheres, por alguma causa desconhecida, tendiam na direção oposta. Os testes, no entanto, foram conclusivos ao relatar que os portadores tinham reflexos 8% mais lentos que os isentos. A pesquisa foi extendida para a coleta do sangue de envolvidos com acidentes de trânsito e descobriu-se que os portadores do toxoplasma tinham uma chance 2,7 vezes maior de se envolver num acidente de trânsito.
Somos um boteco de vanguarda. Vou ser o primeiro fornecedor de psicotrópicos biológicos no mundo. Você se sente covarde, cagão, bunda-mole, neurótico, udialen? Beba toxoplasma e vire macho. Você é uma garota ninfomaníaca, deprê, autodestrutiva, bebum e porra-louca? Toxoplasma e te transforma na Virgem Imaculada. Em breve no balcão preto.

Quinta-feira, Dezembro 12, 2002

A meteórica carreira de um gato infelix

(Mais-que-infame o trocadilho, tou ligado).
Acho que vou matar a família e ir à Igreja Universal, já que cinema mereça a visita no hay mas. (Matar a família e ir à Supersala Surround de um Shopping?!).
Sacam o gato que eu tinha arranjando? Já tinha até um post a respeito dele. Ia ser assim:

Eu deixei o K trancado no meu quarto hoje, e não deixei disponível uma caixa de areia, de maneira que já sabia o que ia encontrar na volta, a dúvida era apenas onde. No meio do colchão.
Roubei então uma pazada de areia duma construção e pus sobre uma chapa de ferro, com uns jornais por baixo. No dia seguinte, ao acordar, fiquei tão surpreso que cheguei a cogitar se o bicho não havia sido adestrado: lá tava ele em cima da minha cama, dormindo profundamente ao lado do produto de suas profundezas.
O bicho deve ter pensado: tipo assim (em gatês
miau significa tipo assim), o que se parece mais com uma caixa de areia aqui?... Hmm... Eis! - esse caixotão com pó branco (caspa, leitor, caspa).
Tem o senso de humor do dono, Herr K.


Voltando pra casa hoje, K havia sido desaparecido por minha adorável famiglia. Vingança é um prato que se come frio.

Terça-feira, Dezembro 10, 2002

Catso, é pegar uma gripe e todo mundo some dessa biroxca! Tá todo mundo acessando e clicando no xis vermelho só pra me sacanear? Comentário que é bom necas, né patuléia?
Mudando de assunto, comunico aos clientes que a casa acaba de adquirir um bichano vira-latas cognominado K. Vou dar de presente de aniversário pro meu velho, que fica todo pimpão cada vez que trucida um felino da vizinhança por acidente, ao espalhar veneno pra rato no quintal.

Domingo, Dezembro 08, 2002

Cavalheirismo

Pronto. Não sou mais o blogueiro mais egoísta do Jardim das Américas. Cliquem em "Classificados" e conheçam meus chapinhas bloguentos.

Marines aportam na baía de Santos



O assunto já é meio batido, mas a RIAA (Record Industry Association of America) quer aprovar uma lei permitindo a invasão dos computadores e a exclusão - viu que eu não uso deletar, Pasquale? - de todos os MP3s armazenados por nós, os criminosos. E também quer enfiar arquivos falsos no Kazaa, tirar do ar redes que façam troca de arquivos e simplesmente destruir os sites que deixam MP3 para download, como este aqui.
Vá ser sangue-ruim assim na casa do caralho! E o pior é que nem adianta recorrer ao Bin Laden, que no Afeganistão a música era proibida.

Terça-feira, Dezembro 03, 2002

Quasímodo era um grande sujeito



Esse negócio de beleza interior é daquelas balelas que a gente conta pras crianças na expectativa convencer a si próprio de alguma coisa. Só não sabia que o Quasímodo, além de um grande sujeito, era gay, gaúcho (olha o pleonasmo) e militante (de novo). Essa coisa grotesca acima eu tirei de um site só com desastres de publicidade, o Juro Que Vi.
Aliás, sou da opinião que todo publicitário é um psicopata bem sucedido. Por exemplo, tem essa campanha da Sadia, com gente vestida de hambúrguer ou chester congelado - Hannibal Lecter deve estar lambendo os beiços, se conseguir alcança-los por baixo da máscara. Não achei nenhuma porra de imagem pra botar aqui, mas procurem num outdoor qualquer por aí. No dia em que vi o anúncio, aliás, também vi passando pela rua uma mulher extremamente obesa, com uns seios grotescos, que ela cobria com uma camiseta branca onde lia-se Peru Sadia. (Seria um transgênico?). Fellini também ia adorar.

Segunda-feira, Dezembro 02, 2002

Hitchcock

Andei notando ultimamente um cheiro desconfortável no recinto, e cheguei a cogitar adquirir uma ducha compulsória para o banheiro masculino. Injustiça minha: meus clientes são junkies, mas limpinhos.
O que havia era um cadáver por aqui, e todo mundo tava tão alto que nem reparou.
Ephemera é morta, amigos, e seu fantasma vaga pelos corredores do campi de sociologia de alguma universidade de Santo André.
Pensei em dar a esta grande amiga, que muito me incentivou a abrir este negócio, um funeral em grande estilo, como o que tenho reservado em testamento para mim mesmo: cremação seguida de lançamento das cinzas na privada, em ritual solene. Mas a família da moça podia não entender a homenagem, então apenas removi seus restos mortais de meu template.

Requiascat in pacem

Sexta-feira, Novembro 29, 2002

Trocando as bolas

Dêem uma conferida lá no porão.

Quinta-feira, Novembro 28, 2002

Satyricon de Felini. Não sei como o filme soava à epoca em que foi feito, mas, sem fazer um esforço inútil de distanciamento histórico, pareceu-me um baita dum pesadelo molhado.
Talvez, nos anos 70, aquela seqüência kitsch e interminável de perversões soasse a uma explosão libertária do Desejo, uma porrada nos culhões dos valores católico-modernistas que ainda apitavam. Só que, com tudo o que houve desde então, hoje está mais pra um terror pornográfico, capaz de chocar e só, próximo ao Saló, de Pasolini - que, perdoem o trocadilho, não passa de um filme de merda.
Até o Felini, quem diria, pode envelhecer mal.
Já o Almodóvar, que provavelmente deve ter adorado Satyricon, conseguiu com esse Hable com Ella falar de amor e necrofilia, enfiar o Caetano Veloso na parada, e não ser um quadrúpede. Assobiou e chupou cana, o menino. Gênyo. Palmas pra elle.

Quarta-feira, Novembro 27, 2002

A propósito da célebre lolita psicopata da Capcom, mais uma resgatada da minha infinita gaveta de bobagens. Esta eu cheguei a publicar num fanzine universitário.

Grandes clichês do humorismo rasteiro reapresenta:

Chapeuzinho Vermelho e o Lobo Gerontófilo

Esta história aconteceu no sul da Áustria, por volta do século XIII. Tempos obscuros.
Era uma vez um lobo gerontófilo. Gerontofilia é o nome que se dá ao distúrbio sexual que consiste na atração mórbida por pessoas velhas. O pobre lobo - que no fundo não era má pessoa - fervia de excitação ao se deparar com seios desnudos caídos pelo meio da barriga. E, diante de uma pele branca e fininha, sulcada por varizes, reentrâncias, brotoejas, manchas e rugas, simplesmente perdia o controle - para a alegria de Vovozinha, de quem ele tirava o atraso toda sexta-feira noite de lua cheia.
Quanto à vovó, não era tão velha assim - tinha trinta e sete anos. Caidinha, é verdade, ou nosso lobo sem psicanalista não viria visitá-la com tal freqüencia. Casara-se aos onze anos e tivera quinze filhos até enviuvar, aos vinte e sete.
Chapeuzinho também não ficava pra trás. Naquele tempo de ascetismo, tinha costumes muitos séculos adiante de sua época. Era aquilo que se chamava então de bruxa, e que ganhou nomes piores mais tarde. Porém, viva que era, não se deixava apanhar - assim, tratava de disfarçar as sensuais madeixas loiras - a fama vem de tempos imemoráveis - com o cândido gorrinho da lasciva cor. Sabe-se também que o apelido foi uma falsificação perpetrada pela família da moça para preservar seu bom nome. Entre os caçadores da floresta, era conhecida por Xexeuzinho Vermelho.
Numa noite, ia a moça à caçar pela floresta quando se depara com o supracitado canídeo neurótico. Tímido que era, ele se retrai todo.
- Oi, Lobão!
- Oi, Xexe... digo... Frida!
- Aonde vais tu assim tão sorrateiro?
- Eu ia... hã... eu ia... rachar lenha!
Olhou para os lados, desconversando:
- O que trazes tu aí na cestinha?
- Torta de amendoim, ostras, ovos de codorna, testículos de touro... Um lanchinho!
- E para quem levas?
- Levo... hã... levo... pra minha vovó!
Sorriu maliciosa. Chapeuzinho também tinha suas taras: era zoófila, ou seja, transava animais. Ao imaginar aquele focinho frio e úmido roçar suas carnes tenras, arrepiou-se todinha.
- Bem, eu vou por aqui. Ai, ai... - suspirou melindrosa - estou com medo de ir sozinha... Ela mora longe, o caminho é deserto e algum maníaco pode estar por perto. Não quer vir comigo?
- Hããã... sim! Quer dizer... não! - o lobo situava-se no tênue limite que separa um tímido de um bunda-mole - não posso Frida, minha mamãezinha está doente e eu tenho que levar a lenha para ela.
- Ah, tá! Então tchau! - e virou-se furiosa, pensando consigo que aquele lobo idiota tinha um padecimento edipiano mal-resolvido.
Era sexta e ele rumou para a casa da Vovozinha, sabendo que Chapéu tinha mais o que fazer sexta à noite do que ir ver a velha. Mas a moça, inconformada, já sabia do caso entre o lobo e a Vovozinha e armou uma pra cima deles. Pegou um atalho, encontrou a vó em casa, deu uma cartela para ela ir jogar no bingo, vestiu sua camisola e ficou quietinha na cama.
O lobo chegou. Entre, disse ela, imitando a voz da doce velhinha. Tateando na escuridão, ele se aproximou. Falou pra ele ir se aconchegando, que a cama tava quentinha. Lobão se enfiou sob os cobertores. E foi logo desconfiando:
- Ai, Vovozinha, que seios túrgidos e pontudinhos!
- É que botei silicone, filhinho!
- Mas, Vovozinha, que pele mais macia e sedosa!
- Tratei com ondas eletromagnéticas!
- E que bunda mais empinadinha!
- Entrei na academia, fio!
- E esses lábios carnudos?
- Implantei células de gordura.
- E pra que essa !@#$@!!@# tão pequenininha?
- É PRA TE COMEEEEERRR!!!
E foi assim que Chapeuzinho Vermelho comeu o lobo gerontófilo.
Enciumada, Vovozinha contratou um caçador pistoleiro pra liqüidar o amásio, mandou a neta prum convento e contou pra todo mundo aquela história babaca que chegou aos Irmãos Grimm.

Segunda-feira, Novembro 25, 2002

Aitel dixit


Deus está entre nós e seu nome é Tom Waits.

Fiquem atentos às bolinhas.

Sexta-feira, Novembro 22, 2002

Estranhos prazeres

Eu jogo fliperama, jogo muito e jogo bem. É meu único clube-do-bolinha na vida. Um bando de marmanjos fumando, se digladiando e discutindo RPG, quadrinhos ou o próprio jogo - mulher, jamê. Minha dose adicto de cultura pop, que evita que eu seja um chato absoluto, apesar de não ver televisão nem ouvir rádio há quatro anos.
E que dose! Perversões sexuais japonesas, bizarrices da Marvel Comics e porrada, muita porrada. Onde mais afinal eu poderia assistir - e interagir - numa batalha entre a Tempestade (do X-man), o Zangief e a Chapeuzinho Vermelho?
Que felicidade faz mal ao artista que porra nenhuma! Agora que estou num momento de glória é que fiquei mais perito em massacrar os otários que jogam sem imaginação.
Ainda vou fazer uma tese de mestrado sobre o assunto.